19 de dezembro de 2011

MEIA-NOITE EM PARIS (2011)


Diretor: Woody Allen
Elenco: Owen Wilson, Rachel McAdams, Michael Sheen, Marion Cotillard

Detentor de uma forma muito peculiar de contar histórias e, por conseguinte, inventor do seu próprio estilo de cinema, Woody Allen provoca sensação de obrigatoriedade, na grande maioria dos cinéfilos, em ir assistir seus filmes. Se à primeira vista se estranham os filmes de Allen, logo começamos a devorá-los sofregamente, como se a nossa vida dependesse disso. Meia-Noite em Paris não é uma exceção à regra. Há quem diga que este filme marca o regresso do genial cineasta aos seus tempos de maior glória. Em minha opinião, esta é uma obra repleta de magia e romantismo, com algumas tiradas cômicas bem típicas de Allen, mas ainda assim é órfã daquela sombra trágica e espírito crítico que sempre estão presentes na sua cinematografia. Ficamos com a nítida sensação de que acabamos de assistir a algo fantástico, algo culturalmente relevante e repleto de uma beleza clássica. Mas saímos também com a sensação de que passamos por algo demasiadamente leve e inocente. E se tal coisa cativa a atenção dos que mais apreciam o lado romântico do diretor nova-iorquino, por outro lado decepciona aqueles que deliram com a sua visão do mundo infinitamente trágica e neurótica.


Gil Pender (Owen Wilson) é um roteirista norte-americano que vai para Paris com a sua noiva Inez (Rachel McAdams), para passar alguns dias de relaxamento e diversão. Num jantar com os irritantes pais de Inez, o casal se encontra com Paul (Michael Sheen) – um pedante, que passa todo filme exibindo sua erudição – e Carol (Nina Arianda) – a esposa deste último. Uma noite, recusando mais um convite para sair com o casal, Gil decide caminhar por Paris à noite e, em virtude de não conhecer a cidade e de estar embriagado, perde-se pelas vielas de Montmartre. Eis que se depara com um táxi velho e os ocupantes do veículo obrigam Gil a juntar-se a eles em uma festa que o remete à capital francesa dos anos 20, conhecendo lugares de uma Paris mágica perdida no tempo, e conhecendo figuras de um imaginário fascinante e ilustres da cultura mundial como Hemingway, Scott Fitzgerald, Picasso, Salvador Dalí, entre muitos outros. Será a partir dessa convivência que terá a chance de descobrir não apenas a si mesmo, mas de enxergar sua vida com uma nova e reveladora perspectiva. Sem saber bem como explicar o que lhe está acontecendo, Gil aproveita o contato com a crème de la crème para conhecer novas paixões e descobrir seus sonhos ocultos.


Como facilmente se percebe pela sinopse apresentada, Meia-Noite em Paris é um filme que transpira cultura por todos os lados. São inúmeras as figuras das artes internacionais (desde a escrita à pintura) que fazem aqui uma aparição. Woody Allen levou à letra a ideia de que Paris é a capital das artes e da cultura em geral, presenteando-nos com uma viagem intelectual que tanto nos ensina como nos obriga a dar boas risadas (a obsessão de Dalí por rinocerontes é, a meu ver, a melhor cena do filme). A nível puramente estético e até musical, Meia-Noite em Paris transforma-se, portanto numa obra de altíssimo calibre, tão encantadora como memorável. Allen continua dirigindo atores com uma maestria ao alcance de muito poucos, deixando as personagens fluir pela narrativa com uma naturalidade estonteante, narrativa essa que (uma vez mais) põe a nu os dotes de escrita do grande cineasta nova-iorquino.


Depois de uma fase mais negra e dramática com obras como Ponto Final (2005) e O Sonho de Cassandra (2007) (curiosamente, ambas rodadas em Londres), Woody Allen parece ter visto em Paris o portal para regressar a contos mais leves e românticos. Infelizmente, isto faz com que Meia-Noite em Paris não tenha tanta substância (crítica e narrativa) como outras obras recentes do diretor, ainda que não faltem as reflexões sobre a vida e as tiradas críticas tão ao seu jeito. Uma obra para apaixonados, não tanto para inconformistas. E eu, como um amante da Cidade Luz, não posso deixar de destacar a fotografia deste filme, com uma abertura que apresenta os principais cenários da cidade, além das diversas tomadas pelas ruas de Montmartre e do Museu Rodin, cenas simplement formidable que devem resultar em indicações aos Óscares de Melhor Fotografia, Melhor Direção de Arte e, quem sabe, de Melhor Figurino, também.








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