13 de julho de 2012

O SEGREDO DOS SEUS OLHOS (2009)





Direção: Juan José Campanella
Elenco: Soledad Villamil, Ricardo Darín, Pablo Rago




Há dois elementos muito interessantes neste filme argentino, uma história que merece ser contada e um modo de fazê-lo maduro, sólido e poético. Um crime horrendo toca particularmente um funcionário de um tribunal, Benjamín Espósito (Ricardo Darín), não só pela violência usada, mas, sobretudo, por encontrar na história de amor da vítima semelhanças com o próprio amor que o alimenta. Espósito fará tudo ao seu alcance para encontrar o culpado, envolvendo no processo o seu colega e melhor amigo, Sandoval, e ainda a chefe do departamento, a belíssima e inatingível Irene Menéndez Hastings. Apesar dos progressivos sucessos da sua investigação e, quando tudo parecia resolvido, revezes de uma justiça demasiadamente cega fazem reverter todo o processo.


Vinte e cinco anos mais tarde, já reformado, Espósito decide escrever a história deste caso e reescrever muitos dos acontecimentos à luz daquilo que gostaria que tivesse acontecido. Esse projeto leva-o a procurar Irene e o marido da vítima, o que o leva a perceber que ainda há tempo de reverter o curso dos acontecimentos e que há sempre muitas coisas na vida de que não conseguimos perceber, a não ser, muitas vezes, muitos anos depois.


O roteiro é original e bem amarrado, misturando nas doses certas amor, sexo, violência, mistério, terror e uma pitada de humor narrados no ritmo certo para prender a atenção do espectador e lhe permitir, simultaneamente, aproveitar o que se passa na tela em sua própria vida. As interpretações bem como a caracterização das três personagens fundamentais, Irene, Espósito e Ricardo Morales são muito convincentes, conferindo uma estrutura sólida à narrativa. A reconstituição da época é bem conseguida tanto nos cenários como nos figurinos. O final brilhante lança uma reflexão sobre a justiça, mostrando que esta pode ser subjetiva e questionável. Ainda assim é de alma lavada que ficamos após assistir esse filme, conscientes de que assistimos a algo novo, a um cinema ‘não americano’ fresco, revigorante e pronto a vingar. Merecidamente, esta película ganhou o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, em 2010.




TRAILER:

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