19 de fevereiro de 2012

127 HORAS (2010)



Direção: Danny Boyle
Elenco: James Franco, Kate Mara, Amber Tamblyn, Clémence Poésy


De início, um filme como 127 Horas corria sérios riscos de se tornar um flop instantâneo. Apostar na produção de uma película que se apoia quase inteiramente nos talentos de um só ator durante mais de uma hora é, sem sombra de dúvida, uma aposta de risco para qualquer produtor de cinema. Este é daqueles filmes em que, mais do que qualquer outra coisa, o diretor tem de ser escolhido a dedo e com grandes doses de cautela. Pois entregue a um realizador, digamos, fraco, o projeto outrora ambicioso pode acabar em uma hora e meia de puro aborrecimento para o espectador menos tolerante. Obras como esta (que fazem lembrar, por exemplo, o agradável Náufrago (2000), de Robert Zemeckis) têm de possuir um diretor dinâmico, criativo e sem medo de cruzar as linhas do risco. Razão pela qual se pode dizer que a escolha de Danny Boyle para assumir as rédeas deste projeto foi uma decisão absolutamente brilhante por parte de quem o contratou.


Pois é justo afirmar que o realizador inglês possui todas essas características e muitas mais. Como já nos comprovou no passado com obras como Extermínio (2002), A Praia (2000), ou até mesmo Quem quer ser um milionário? (2008), Boyle é um diretor invulgar; um realizador cheio de garra, genialidade, e uma vontade imensa de surpreender o espectador com os seus planos de câmara e a sua paleta de cores tão quentes que quase nos fazem transpirar. Nas mãos de Danny Boyle, esta história (verídica) de um alpinista aventureiro que fica preso entre um conjunto de rochedos transformou-se num dos filmes mais destemidos e acelerados do ano.


Na Primavera de 2003, Aron Ralston (um James Franco em grande atuação) saiu de casa para mais uma aventura solo nas montanhas desérticas do estado de Utah, nos Estados Unidos. Sem dizer a ninguém para onde ia (como era seu costume), embrenhou-se nas referidas montanhas para mais um dia de isolamento e de afastamento da estressante loucura das grandes cidades. Ao passar por cima de um enorme rochedo, este desaba, arrastando-o consigo numa queda violenta até lhe prender a mão direita contra a parede de pedras. Incapaz de se libertar, Aron depressa compreende que se meteu numa grande enrascada. E assim começa uma jornada de 127 horas que põe à prova a vontade de viver do jovem alpinista.


127 Horas não é um filme que se deva aconselhar aos mais impressionáveis. Os relatos de espectadores que desmaiam nos últimos quinze minutos do filme se propagaram pelo mundo inteiro, deixando antever a brutalidade desses minutos finais. Filmado com a loucura (no bom sentido) e a irreverência a que Boyle já nos habituou, 127 Horas garante-nos uma boa dose de emoções fortes, misturada com momentos de tudo aquilo que um bom drama tem para nos oferecer. Não estamos perante uma película tão claustrofóbica quanto estava à espera. Mas ainda assim, e graças ao engenho do realizador britânico, 127 Horas insere-nos por completo no tormento do protagonista, fazendo-nos sentir a sua angústia com uma facilidade tremenda.


Claro que, aqui, o mérito é também muito de James Franco. O jovem ator de filmes como Homem-Aranha (2002), Tristão & Isolda (2006) e Milk (2008), atrai a simpatia do espectador mais carrancudo com uma destreza admirável, obrigando-o depois a sofrer consigo até ao fim. A sua construção de Aron Ralston é perfeitamente verossímil. Agora percebo porque Franco chegou a ser apontado como o favorito para o Oscar de Melhor Ator de 2011, afirmando-se como o principal competidor de Colin Firth pela gloriosa estatueta dourada.


Senhoras e senhores, se gostam de filmes que conseguem ser tão chocantes como comovedores, 127 Horas é o filme para vocês. A desconstrução da personagem principal é efetuada com sobriedade e grande mestria, a trilha-sonora de A.R. Rahman desempenha um papel crucial na exteriorização das emoções retratadas, e o roteiro de Danny Boyle e de Simon Beaufoy nunca deixa o espectador adormecer. Um justo candidato ao Oscar de Melhor Filme, que por tremenda injustiça, não viu o seu excepcional chefe de operações obter a merecida nomeação para Melhor Diretor do ano.





TRAILER:



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10 de fevereiro de 2012

AMOR E OUTRAS DROGAS (2010)



Direção: Edward Zwick
Elenco: Jake Gyllenhaal, Anne Hathaway, Oliver Platt, Hank Azaria, Josh Gad


O competitivo e capitalista mundo das indústrias farmacêuticas serve como pano de fundo para a história romântica deste Amor e Outras Drogas, uma razoável comédia romântica com contornos dramáticos que se centra numa vertente romântica cativante e relativamente criativa, mas que também explora várias temáticas secundárias interessantes como as particularidades da indústria farmacêutica norte-americana ou os dramas/dificuldades que afetam as pessoas que convivem diariamente com a Doença de Parkinson ou com a Disfunção Erétil.


A história de Amor e Outras Drogas é centrada em Jamie Randall (Jake Gyllenhaal), um astuto vendedor farmacêutico que tem tanta sorte com as mulheres como tem com as vendas. Um dia, Jamie cruza caminho com Maggie Murdock (Anne Hathaway), uma mulher fascinante com uma mente muito aberta que nunca se aproximou romanticamente de nenhum homem, mas que não resiste ao seu charme. Os dois iniciam um relacionamento inicialmente causal, mas que se transforma num relacionamento sério que é subitamente abalado por uma série de problemas pessoais que tanto afetam Jamie como Maggie e que poderão condenar o romance ao fracasso.


A sua história é claramente dominada pelo incandescente e inconstante romance entre Jamie e Maggie, um libertino e divertido casal que nos cativa facilmente com o seu humor inerente e com o seu tremendo desprendimento. O atribulado romance está condenado ao sucesso, no entanto, antes de um anunciado final feliz, este relacionamento passa por uma série de contrariedades, provocadas pela terrível enfermidade que afeta Maggie, uma doença extremamente debilitante que os leva a ponderar sobre o seu futuro como casal. Os dramas reais e inerentes à Doença de Parkinson são explorados com muita criatividade e sensibilidade por este enredo, no entanto, nunca é delineado um destino tenebroso ou dramático para quem sofre dela, muito pelo contrário, mostra-nos que apesar de ser um problema cerebral sem cura e altamente debilitante, não é necessariamente um sinônimo de infelicidade permanente, sendo perfeitamente possível fazer uma vida relativamente normal e cheia de momentos felizes.


O enredo de Amor e Outras Drogas vai além desta difícil temática e aborda outros temas menos dramáticos, assim sendo, mostra-nos como é que o Viagra revolucionou a vida sexual de milhares de homens em todo o mundo e como é que a indústria farmacêutica e os seus vendedores fazem dinheiro, recorrendo para isso a inúmeras táticas insensíveis e legalmente duvidosas que infelizmente ainda são utilizadas nos nossos dias, no entanto, estas duas temáticas controversas não são exploradas com tanto pormenor ou com tanta qualidade. Em suma, Amor e Outras Drogas é um filme que se centra essencialmente num romance, mas este é enriquecido por uma série de temáticas dramáticas e humorísticas que o rentabilizam e que transformam este filme numa comédia romântica mais interessante e criativa que se afasta claramente da maioria das comédias românticas norte-americanas.


O cineasta Edward Zwick criou uma obra interessante que se centra numa bonita e tocante história que certamente irá cativar e emocionar os espectadores mais sensíveis, no entanto, existem vários momentos que são excessivamente melodramáticos e que eram perfeitamente dispensáveis porque pouco acrescentam ao filme. A conclusão é que este é um filme perfeitamente expectável, no entanto, uma reviravolta final não teria ficado nada mal a esta obra. A nível técnico, Amor e Outras Drogas poderia ser melhor, sendo a sua trilha sonora o seu pior elemento porque para além de não ficar no ouvido, não é composta por muitos elementos sonoros que nos remetem aos anos noventa, aliás, em todo o filme, são poucas as referências culturais que são feitas aos anos noventa.


Este filme tem em Anne Hathaway o seu elemento de maior qualidade, com uma performance inspirada e equilibrada, e que assume as complicadas cenas dramáticas e sexuais com um à-vontade tremendo. O elenco secundário e Gyllenhaal são ofuscados, mas, ainda assim, somos presenteados com razoáveis performances de Oliver Platt e Hank Azaria. Amor e Outras Drogas é um bom filme que deve ser visto por quem aprecie uma boa história de amor, no entanto, é a atuação de Anne que faz valer as quase duas horas em frente à televisão.



TRAILER:



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3 de fevereiro de 2012

O ARTISTA (2011)





Direção: Michel Hazanavicius
Elenco: Jean Dujardin, Bérénice Bejo, John Goodman, James Cromwell


Seria fácil avaliar O Artista pela sua óbvia nostalgia: é um filme preto e branco, sem diálogos falados e passado nos anos 20. Ou, se a avaliação de O Artista se prendesse ao doce que é podermos viajar a esse passado glorioso do cinema, diria que é um filme perfeito. Mas O Artista não precisa disso, ao contrário do que alguns críticos dizem, de se prender ao passado e ao recurso do preto e branco e do cinema mudo, para ter valor. Esse é um excelente filme, que aborda temas atuais de forma brilhante.



Dirigido por Michel Hazanavicius, o filme evoca a Hollywood clássica na transição entre os filmes mudos e os falados, seguindo uma estrela do cinema mudo, George Valentin (Jean Dujardin), que com a chegada dos filmes falados compromete a sua carreira e vai fazê-lo cair no esquecimento. Mas é ainda enquanto ator famoso, que se cruza com Peppy Miller (Bérénice Béjo), uma jovem figurante, para quem só o céu parece ser o limite.


A mensagem de O Artista é a mesma do também brilhante Meia-Noite em Paris (2011) de Woody Allen: é preciso deixar o passado para trás para conquistar o futuro. Não esquecer o passado, mas não o glorificar de forma ofuscante. George Valentin não aceita o fim do cinema mudo e recusa-se a trabalhar em filmes falados – uma recusa que o leva à miséria e à solidão. E é com rancor que vê como Peppy, que ele lançou, se torna a grande figura do cinema falado.


Jean Dujardin e Bérénice Béjo são duas pérolas que animam o filme - dão um lado humano ao que facilmente poderia ser uma abordagem linear ao cinema dos anos 20 - muito graças à direção sensível e comedida de Hazanavicius (que já dirigiu estes dois atores várias vezes). O Artista oferece momentos hilariantes – como a sequência em que o cão vai chamar o policial – e comoventes na reta final. Isto porque George e Peppy podem ser personagens de um filme mudo e preto e branco, mas de alguma forma a sua história (a forma como é atuada e apresentada) é cheia de cor e vida.




TRAILER:


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29 de janeiro de 2012

CISNE NEGRO (2010)






Direção: Darren Aronofsky
Elenco: Natalie Portman, Mila Kunis, Vincent Cassel, Barbara Hershey, Winona Ryder



Depois do magnífico O Lutador (2008) – que devolveu Mickey Rourke ao seu habitat natural e que foi ligeiramente ignorado pelas várias cerimônias de prêmios de cinema –, Darren Aronofsky regressa às luzes da ribalta com um filme que aborda o clássico “O Lago dos Cisnes” de uma forma muito peculiar. Apesar de possuir apenas cinco longas-metragens (com este Cisne Negro já incluído) no currículo, Aronofsky tem-se afirmado como um daqueles diretores que depressa carimba a Sétima Arte com uma forma de contar histórias muito própria e simplesmente avassaladora. A cada filme que passa, o modo de filmar deste jovem e genial realizador nova-iorquino transforma-se numa marca registrada. Uma marca repleta de brilhantismo, criatividade artística, arrojo visual e sublime intensidade narrativa. De certa forma, Cisne Negro é uma espécie de versão feminina de O Lutador. As semelhanças são muitas, e se O Lutador era uma obra absolutamente brilhante a todos os níveis… este Cisne Negro é uma autêntica obra-prima do cinema contemporâneo, ficando-lhe assegurado um lugar muito especial na História das artes audiovisuais.


Estamos na presença de um dos filmes mais perturbadores, intensos e mesmo chocantes das últimas temporadas cinematográficas. Por detrás do véu de graciosidade e do requinte musical, o filme está repleto de negrume, de figuras assustadoras e de tragédia. Algo que Aronofsky captou na perfeição, fazendo deste Cisne Negro uma das obras mais arrepiantes e impressionantes de todos os tempos. Correspondendo aos desejos mais ardentes da personagem principal, tudo neste filme é absolutamente perfeito. Desde a encenação das danças carregadas de energia macabra ao retrato sempre angustiante de como a protagonista cai, lenta e desamparadamente, nas malhas da insanidade delirante. O que transforma Cisne Negro numa obra obrigatória, goste-se ou não de ballet.


A história permite-nos acompanhar a vida artística de Nina Sayers (Natalie Portman), uma bailarina repleta de talento e obcecada pela absoluta perfeição. Tecnicamente, não há nenhuma bailarina do corpo de ballet a que pertence que lhe chegue aos pés. Cada movimento dos seus passos de dança é efetuado com brio e absoluto rigor. Porém, a rigidez e a frigidez que marcam a sua personalidade prejudicam-na, não lhe permitindo soltar as verdadeiras emoções no palco. Exageradamente mimada e tratada como uma menina inocente pela mãe controladora (Barbara Hershey), Nina tem dificuldades em potencializar todas as suas qualidades e até a sua vida social sofre com isso. Mas é então que Thomas Leroy (Vincent Cassel) – o diretor artístico do corpo de ballet – dá início a um casting para decidir quem irá interpretar a Rainha dos Cisnes na sua versão d’”O Lago dos Cisnes”. Inesperadamente, Nina é selecionada. Porém, depressa vê a manutenção do seu papel ameaçada quando Lily (Mila Kunis) entra em cena. Enquanto Nina é perfeita para interpretar o papel do Cisne Branco (dócil e deslumbrante), Lily é a imagem imaculada do Cisne Negro (viril e impetuoso). E perante a constante incapacidade de Nina se soltar e assim se revelar capaz de interpretar a face mais negra da Rainha dos Cisnes, Thomas começa a pensar se Lily não será uma melhor escolha para este papel. Algo que dá origem a uma rivalidade entre as duas bailarinas e que leva a doce e inocente Nina Sayers a transformar-se num perverso e luxurioso cisne negro…


Estamos perante uma obra que ficará na memória dos espectadores por muitos e bons anos. Uma obra repleta de estrondosas sonoridades que nos arrepiam e fabulosas imagens que nos trazem as lágrimas aos olhos. A realização de Aronofsky é absolutamente irrepreensível, mergulhando-nos num mundo de delirante tragédia com uma destreza e um brilhantismo apenas ao alcance dos maiores gênios da Sétima Arte. Ao mesmo tempo em que faz uma reflexão sobre as consequências de um mundo cada vez mais competitivo e das neuroses obsessivas que dele podem provir, Cisne Negro não vira as costas ao gênero fantástico, brindando o espectador com algo de verdadeiramente único. Se o primeiro ato do filme pode vir a aborrecer quem não for fã de um cinema que gosta de aprofundar o comportamento das suas personagens… o segundo ato deixa-nos completamente paralisados com uma intensidade (dramática e narrativa) que nos cola à cadeira. E tudo isto é obra de Aronofsky, que não tem medo de arriscar e de almejar resultados finais ímpares na cinematografia mundial.


Natalie Portman está também de parabéns, pois a sua interpretação da delirante e desesperada Nina Sayers ultrapassa tudo aquilo que se poderia esperar, oferecendo-nos momentos que dificilmente conseguiremos esquecer. Cisne Negro é um autêntico prodígio cinematográfico, cativante do início até ao fim e deslumbrante a todos os níveis possíveis e imaginários. Em minha opinião, deixa A Rede Social e A Origem – outros grandes filmes de 2010 – a milhas de distância. Mas isso também não importa. Porque, isto sim, é cinema em todo o seu esplendor! E não seria uma estátua dourada que lhe acrescentaria ou retiraria qualquer mérito.





TRAILER:


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OS HOMENS QUE NÃO AMAVAM AS MULHERES (2011)



Direção: David Fincher
Elenco: Daniel Craig, Rooney Mara, Christopher Plummer, Robin Wright


David Fincher tem uma notória predileção pelos thrillers pesados, chocantes e violentos capazes de deixar qualquer um de cabelos em pé. Depois de Seven (1995) e Zodíaco (2007), eis que o cineasta norte-americano nos leva por uma nova incursão ao arrepiante e desconcertante submundo do crime, todo ele um reflexo daquilo que a sociedade humana tem de mais podre e deplorável. Agora, Fincher serve-se do famoso best-seller de Stieg Larsson para dar seguimento a essa sua visão do mundo decididamente fria, cinzenta e até mesmo trágica.


Mais do que um remake (o próprio diretor recusou peremptoriamente essa classificação), Os Homens que Não Amavam as Mulheres é uma versão alternativa dos escritos de Larsson, não desdenhando, apesar de tudo, a herança deixada pelos filmes originais suecos. Esses filmes encabeçados por uma Noomi Rapace em ascensão meteórica eram já suficientemente louváveis para figurarem na História do cinema por conta própria. Assim sendo, houve desde logo quem olhasse com desconfiança para esta versão norte-americana (o que é bastante compreensível, dada a torrente de remakes absurdos e estapafúrdios que tem contaminado as salas de cinema internacionais nos últimos anos). Todavia, o simples nome de David Fincher trouxe alguma credibilidade ao projeto, não denegrindo a imagem da franquia sueca e contribuindo até para a expansão do fenômeno Millennium. Se esta nova versão do primeiro tomo da trilogia de Larsson é melhor ou pior que o original sueco, isso ficará ao juízo de cada espectador. O que se pode assegurar sem margem para dúvidas é que o Os Homens que Não Amavam as Mulheres de Fincher cumpre com quase tudo aquilo que prometia, oferecendo-nos duas horas e meia de investigações policiais alucinantes e personagens que ficarão conosco durante algum tempo.


Depois de ver a sua vida profissional andar para trás com um processo de difamação do qual saiu derrotado, Mikael Blomkvist (Daniel Craig) demite-se da revista Millennium onde trabalhava como jornalista e embarca numa viagem até o norte da Suécia para se reunir com Henrik Vanger (Christopher Plummer), um empresário reformado que decide recorrer aos serviços de Mikael para investigar o desaparecimento de uma jovem de sua família. A princípio, o jornalista mostra-se reservado e com pouca vontade de aceitar a proposta de Henrik. Mas quando este lhe promete a cabeça de Wennerström (Ulf Friberg) – o homem que o processou por difamação –, Mikael sabe de imediato que não tem escolha senão fazer tudo o que Henrik quiser. Assim começa um processo de investigação às escondidas, que leva Mikael a tomar conhecimento de todos os podres de uma família de empresários verdadeiramente difíceis de aturar. Cada vez mais perdido numa investigação que parece não ter solução possível, Mikael decide então contatar a problemática e determinada Lisbeth Salander (Rooney Mara), uma hacker com dificuldades de integração social que prova ser uma aliada valiosíssima logo nos primeiros dias de colaboração. Motivada para deter um assassino de mulheres, Lisbeth dá tudo de si para resolver este autêntico quebra-cabeça, ao mesmo tempo em que começa a desenvolver uma relação de intimidade com o seu parceiro de pesquisa. Mas à medida que o tempo passa, tanto Mikael como Lisbeth vêem as suas vidas seriamente ameaçadas, já que o assassino se encontra mais próximo do que poderiam imaginar. E a perversão deste serial-killer parece não ter limites, o que torna tudo ainda mais eletrizante…


Tenho de confessar que estava à espera de algo mais chocante e escabroso, apesar de não estarmos perante uma obra para todos os públicos. É certo que há aqui dois ou três momentos verdadeiramente arrepiantes, podendo desde já adiantar que o público feminino terá grandes probabilidades de sair abalado da sala de cinema. Mas isso já seria de esperar num filme que tem como título em português Os Homens que Odeiam as Mulheres. Por todos os rumores que haviam circulado e até pelos pôsteres que foram sendo lançados, esperava-se que este Os Homens que Não Amavam as Mulheres fosse um dos filmes mais intensos e perturbadores dos últimos anos, até pela marca Fincher que lhe estava associada. Porém, a verdade é que, fora dez ou quinze minutos de violações e abusos sexuais, esta obra acaba desabrochando como um thriller policial perfeitamente casual. Não necessariamente convencional, mas longe de ser a grande “bomba” que se chegou a imaginar, o que não abona muito a seu favor. O dedo preciso de Fincher mostra-se de forma bastante clara. Como fabuloso contador de histórias que é, o cineasta norte-americano prende a atenção do espectador por inteiro, levando-o a esperar sempre mais de um enredo que nem parece ter quase três horas de duração. As duas horas e meia passam voando, e isso é de grande valor. Mas o roteiro de Steven Zaillian torna-se por vezes confuso e enrolado. A sensação com que ficamos é que sem Rooney Mara e a sua fantástica Lisbeth Salander, Os Homens que Não Amavam as Mulheres não seria mais que um thriller quase vulgar. De fato, e de forma quase improvável, é Mara quem rouba o espetáculo quase que completamente, deixando para segundo plano atores como Daniel Craig e Stellan Skarsgard, com a sua interpretação felina e visceral da hacker mais anti-social de todos os tempos.


Em suma, vale a pena assistir essa película pelo estilo visual de Fincher, a intensidade interpretativa de Mara e a trilha-sonora invulgar da dupla Trent Reznor e Atticus Ross. Sem esquecer uma fabulosa sequência de créditos iniciais, ao som de Led Zeppelin, que fará com que os espectadores que cheguem cinco minutos atrasados batam com a cabeça na parede durante um bom número de horas.



 

TRAILER:


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22 de janeiro de 2012

PLANETA DOS MACACOS: A ORIGEM (2011)




Direção: Rupert Wyatt
Elenco: James Franco, Andy Serkis, Freida Pinto, John Lithgow


A obra original desta franquia (com Charlton Heston encabeçando o elenco) estreou no longínquo ano de 1968 e depressa se tornou uma obra de culto. Depois de algumas sequências menos bem-sucedidas na década de 70, foi a vez de Tim Burton reinventar esta peculiar história de ficção-científica, no ano de 2001. A coisa também não correu lá muito bem, ficando para a História da Sétima Arte como um dos piores filmes do visionário diretor norte-americano. Dez anos mais tarde, surge uma nova tentativa de ressuscitar a franquia, desta vez sob a forma de prequel. De fato, mais do que as sequências, os prequels parecem ter invadido Hollywood nos últimos anos, dando novo significado ao termo remake. Depois de bem pouco tempo termos assistido ao renascimento da saga X-Men, assistimos agora à gênese dos macacos falantes. E a verdade é que a prequel desta franquia não embaraça os seus criadores originais.


Will Rodman (James Franco) é um cientista brilhante que vive atormentado pelo contínuo definhar do seu pai (John Lithgow), fruto da doença de Alzheimer. Com o objetivo de encontrar uma cura para essa doença, Will trabalha sem parar no produto AlZ-112. Antes da testagem em humanos, Will e a sua equipe elaboram uma testagem exaustiva em chimpanzés. E, em poucos dias, vêem que o medicamento faz efeito, eliminando todos os sintomas da doença. Porém, efeitos secundários que ninguém esperava manifestam-se igualmente: os primatas desenvolvem uma inteligência extraordinária, inteligência apenas comparada à dos humanos. Mas antes que se pudesse estudar este fenômeno a fundo, um incidente nas instalações laboratoriais faz com que todo o projeto seja cancelado, para grande pesar de Will e seus colaboradores. O presidente da empresa de engenharia genética ordena então o abate de todas as cobaias e todas são, de fato, abatidas. Bom… todas, menos uma. Caesar (interpretado por Andy Serkis através da tecnologia motion-capture, já utilizada em filmes como O Senhor dos Anéis (2001) ou Os Fantasmas de Scrooge (2009) – um chimpanzé bebê – é adotado em segredo por Will, que passa assim a observar o seu crescimento de bem perto, acabando desenvolvendo uma relação de amizade bastante forte com o símio. No entanto, o que Will desconhece é que está criando o futuro líder da revolução símia, uma revolução que irá mudar a face da Terra para sempre…


Todas as prequels possuem um sentimento de fatalismo que as torna deveras interessantes. O fato de o espectador já conhecer o que se vai passar no futuro permite-lhe observar todos os acontecimentos com outros olhos, formando-se certa sensação de cumplicidade entre a tela e a audiência, que eleva as qualidades da obra em questão e encobre os seus defeitos. Temos exemplos disso no recente X-Men: Primeira Classe (2011), com o espectador prestando muito mais atenção à relação entre Charles Xavier e Erik Lehnsherr, por saber que ambos vão se tornar arqui-inimigos. Temos isso, também, na segunda trilogia da saga Star Wars, onde acompanhamos o percurso de Anakin Skywalker com todo o cuidado por sabermos que ele está fadado a transformar-se no temível Darth Vader. E isso ocorre igualmente neste Planeta dos Macacos, onde assistimos ao desenvolvimento de Caesar com um olhar algo fatalista, já que sabemos perfeitamente aquilo que o futuro lhe reserva. De fato, é como se as prequels entregassem um pouco do poder narrativo ao espectador. Este já sabe o que vai acontecer e, por causa disso, sente-se quase como se tivesse um papel ativo no desenrolar da trama que os seus olhos acompanham. Tal sensação de fatalidade acaba por se afirmar como o ponto mais forte desta obra, já que capta a atenção da audiência por inteiro.


Planeta dos Macacos: A Origem não precisa brigar muito para se afirmar como uma obra de entretenimento puro e eficaz. Acima de qualquer outra coisa, é uma aventura à boa maneira de Hollywood, com efeitos especiais de alto nível (a equipe é a mesma de Avatar (2009) e esta é a primeira vez que o motion-capture é filmado em conjunto com os atores live-action e dentro de um set real, sem panos de fundo verdes ou azuis), uma trilha-sonora de Patrick Doyle empolgante, interpretações suficientemente seguras para prender o espectador à cadeira e um desenvolvimento narrativo fluido e entusiasmante. A narrativa não tem pontos mortos e até há espaço para a transmissão de uma mensagem moralista sempre oportuna (embora já um pouco gasta). Tudo fatores inerentes a um bom blockbuster de Hollywood, consumado a pensar numa faixa etária abrangente e num bolo de lucros gigantesco.


Planeta dos Macacos: A Origem apresenta-nos algumas cenas ridículas que poderiam facilmente ser evitadas (como a do macaco andando a cavalo…). E o próprio roteiro encontra-se infestado de clichês que nos fazem pensar que já assistimos a estes eventos por diversas vezes. No fim das contas, sente-se que Rupert Wyatt tenta transmitir uma mensagem relevante, criticando o modo prepotente do ser humano e refletindo sobre o lado mais negro da engenharia genética. Os macacos digitais são surpreendentes e toda a ação é filmada com senso de sobriedade e crescente narrativo. Mas ao fim de 105 minutos de película sentimos que nada de novo foi realmente alcançado, relegando esta obra para o poço dos blockbusters competentes, filmados para serem vistos na sessão da tarde.




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